Tratamento

 

Tratamento

         Uma vez que o diagnóstico é realizado principalmente através da sintomatologia apresentada pelo doente, bem como do seu historial recente de alimentação, o tratamento foca-se essencialmente na cura destes sintomas. 

         Os doentes sintomáticos, ou seja, aqueles em que a intoxicação é moderada a severa, devem dirigir-se a uma unidade de cuidados intensivos para observação da sua sintomatologia, a fim de prevenir possíveis complicações respiratórias e cardiovasculares. Estes doentes devem também ser acompanhados de forma a observar a progressão da fraqueza muscular por pelo menos 24 horas.

         É de salientar que se a fraqueza muscular for acompanhada de falência respiratória é necessário proceder a uma entubação endotraqueal para oxigenação.

         Em caso de ocorrer disfunção cardíaca, esta pode ser resolvida com a administração intravenosa de fluidos, anti-arrítmicos e vasoconstritores. Devido à gravidade da situação é necessário uma monitorização constante dos sinais vitais e da oxigenação, uma vez que os pacientes podem descompensar rapidamente. Em caso específico de bradicardia é recomendado o uso de atropina.

         Outra intervenção possível é a remoção da toxina do estômago do indivíduo, no entanto a lavagem nasogástrica e orogástrica apesar de ser teoricamente benéfica pode resultar em dano esofágico e dificuldade de aspiração. A ocorrência de vómito torna a lavagem gástrica não indicada.

         É importante reter que se o paciente se encontra muito debilitado fisicamente, pode apresentar afasia, e por isso incapacidade de contar “a sua história” pelo que o diagnóstico se torna mais complicado.

         A neostigmina, embora não comprovada clinicamente, tem sido vista como uma forma possível de restaurar a actividade motora, já que ao inibir a degradação da acetilcolina pela acetilcolinesterase promove a transmissão dos impulsos nervosos na junção neuromuscular. A dose para adultos é de 0,5 mg por via intramuscular, enquanto que a pediátrica é de 0,02 ou 0,04 mg/kg por via intramuscular.

         A administração de carvão activado é aconselhada a todos os doentes sintomáticos, já que este é capaz adsorver 100-1000mg de TTX por grama de carvão activado. Para um máximo efeito esta administração deve ser feita 30 minutos após a ingestão do alimento contaminado, e geralmente é administrada sob a forma de uma solução de 70% de sorbitol, excepção feita para crianças em que as perturbações electrolíticas são relevantes. A dose descrita como eficaz para adultos é 1g/kg (tipicamente 50g) per os, sendo que se há suspeita da ingestão de uma grande quantidade pode repetir-se a administração de metade da dose inicial. A dose pediátrica é usualmente 15 a 30g.

         Não há nenhum antídoto conhecido contra a tetrodotoxina, no entanto encontra-se descrito na literatura um estudo animal (em ratinhos) com anticorpos monoclonais contra TTX. Tem sido investigada a hipótese dos anticorpos monoclonais (T20G10) conferirem protecção passiva contra a toxicidade da TTX.  Este estudo demonstrou que ocorreu morte entre 25 a 35 minutos em seis dos seis ratinhos não tratados com o anticorpo monoclonal em causa. Enquanto que com a administração de 500μg de T20G10 via injectável após a “administração” oral de TTX preveniu-se a morte dos seis ratinhos em estudo.   

            Existe outro estudo, em porcos, que revela que um bloqueador de canais de potássio, a 4-aminopiridina, foi usado na intoxicação com tetrodotoxina. Após a administração deste fármaco foi possível constatar uma melhoria na função respiratória, cardiovascular e do sistema nervoso central. Apesar disso, há ainda um longo caminho a percorrer de forma a aperfeiçoar melhor os conhecimentos sobre este fármaco, bem como da sua hipotética aplicação futura na intoxicação por TTX em humanos.

 

Referências

Silva, C.; Clinical and epidemiological study of 27 poisonings caused by ingesting puffer fish (Tetrodontidae) in the states  of Santa Catarina and Bahia, Brazil. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo 2010. 52 (1)

http://emedicine.medscape.com/article/818763-treatment   (acedido em 18-5-2010)

http://www.medscape.com/medline/abstract/8585093   (acedido em 18-5-2010)

 http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0506/tetrodotoxina/tetrotx.htm   (acedido em 18-5-2010)

http://toxnet.nlm.nih.gov/cgi-bin/sis/search/f?./temp/~WGkKcs:1   (acedido em 18-5-2010)

http://www.healthsystem.virginia.edu/internet/medtox/education/toxtalks/sept08ttx.pdf   (acedido em 18-5-2010)




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