TTX

 

Características

 Nome: Tetrodotoxina

Estrutura da TTX

Estrutura da TTX

Nome IUPAC: Octahydro-12-(hydroxymethyl)-2-imino-5,9:7,10a-dimethano-10aH-[1,3]dioxocino[6,5-d]pyrimidine-4,7,10,11,12-pentol

Outras denominações: anidrotetrodotoxina, 4-epitetrodotoxina, ácido tetrodónico e TTX. 

Número CAS: 4368-28-9

Fórmula Molecular: C11H17N3O8

Peso Molecular: 319,27

Ponto de Fusão: 220ºC

Toxina termo-estável e não proteica

pKa (água) = 8,76

Solubilidade: Solúvel em ácido acético diluído; Ligeiramente solúvel em água, éter e etanol; praticamente insolúvel noutros solventes orgânicos.

 [α] D25 = -8,64º

 

Ocorrência na natureza

        A TTX é uma potente neurotoxina que se encontra presente no peixe-balão ou fugu e cuja toxicidade já era conhecida pelos Egípcios (2500 AC).

Peixe-balão

Peixe-balão

        Esta toxina não se encontra limitada à família Tetrodontidae e pode ser encontrada em vários outros animais marinhos e terrestres, entre estes salamandras, sapos, polvos de aneis azuis Australianos, caranguejos e estrelas do mar. No peixe-balão, a TTX está concentrada no fígado e gónadas, mas também se encontra noutros órgãos como intestino, pele e músculos.

Vísceras de peixe-balão - local de acumulação da TTX

Vísceras de peixe-balão - local de acumulação da TTX

        A vasta distribuição da toxina deve-se ao facto  desta não ser produzida pelo peixe-balão (apenas a armazena para defesa contra predadores) mas sim por determinadas espécies de bactérias como as Vibrio spp. que fazem parte da alimentação destes peixes. Estes, como hospedeiros destas bactérias, possuem imunidade à toxina. Para os mamíferos, pelo contrário, esta toxina é bastante tóxica apresentando um LD50 na ordem dos 10µg/Kg.

 

 

Distribuição geográfica

        Geograficamente, os envenenamentos por esta toxina estão quase exclusivamente associados ao consumo de peixes-balão das regiões do oceano Índico e Pacífico. Há no entanto casos de envenenamento no Oceano Atlântico, Golfo do México, Golfo da Califórnia.

Distribuição geográfica do peixe-balão

Distribuição geográfica do peixe-balão

 

Biossíntese da TTX

        Kotaki e Shimizu propuseram  um esquema biossintético simples para a biossíntese da tetrodotoxina. Nesta biossíntese um poliol em C5 (adipose C5 sugar) ou um grupo isopentenil-PP liga-se à arginina (aminoácido) e ocorre a formação de um composto complexo e estereoespecífico, a (-)-tetrodotoxina.

Biossíntese da TTX

Biossíntese da TTX

 

Síntese da TTX

        Em 1964 foi elucidada a estrutura da tetrodotoxina por um grupo norte-americano liderado por Woodward e outro Japonês liderado por Tsuda e Ikuma. Posteriormente, em 1972, Y. Kishi (químico) obteve a síntese da mistura racêmica da TTX. Nesta síntese ocorrem reacções de cetalização, redução de Meerwein-Ponndorf-Verley, oxidação (via selénio), epoxidação, cicloadição de Diels-Alder, entre outras. Na figura abaixo apenas estão ilustrados alguns passos desta síntese.

Síntese da TTX

Síntese da TTX

 

Referências

Narashi, T. ; Tetrodotoxin – A brief history:Review. Proc. Jpn. Acad. 2008. 84: 147-154.

Neto P, Aquino E, Silva J, Amorim M, Junior A, Júnior V, et al. Envenenamento fatal por baiacu (Tetrodontidae): relato de um caso em criança. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 43 2010. 1:92-94.

 http://en.wikipedia.org/wiki/Tetrodotoxin [acedido em 16.05.2010]

 http://www.scripps.edu/chem/baran/images/grpmtgpdf/Vasan.pdf [acedido em 18.05.2010]

http://reefbuilders.com/2007/08/23/puffer-fish-sold-as-salmon-kills-15-sickens-115/ [acedido em 14.05.2010]

http://animals.nationalgeographic.com/animals/fish/pufferfish.html [acedido em 14.05.2010]

http://en.wikipedia.org/wiki/Tetrodotoxin [acedido em 16.05.2010]

http://www.chm.bris.ac.uk/motm/ttx/ttx.htm [acedido em 15.05.2010]

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